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| ESPIRITISMO E MEDIUNIDADE |
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A mediunidade é a capacidade para servir de intermediário entre os dois planos da vida e médium é quem tem essa capacidade, a qual, conforme os mais recentes estudos, depende das características naturais de uma pequena glândula escondida no interior do nosso cérebro, a glândula pineal, à qual há quem já chame o órgão da mediunidade. A pineal é uma glândula que se mantém activa até à puberdade e que, até aqui, a ciência oficial considerava que apenas servia para controlar os impulsos sexuais da adolescência. Passada esta fase, efectivamente, a pineal tende a calcificar e o seu interior cristaliza. É então que começa essa sua segunda função, agora de carácter espiritual: são os seus cristais que, tal como as peças de idêntico nome dos primitivos aparelhos de rádio, funcionam como receptores e emissores das vibrações que permitem o estabelecimento do contacto entre este lado e o outro lado da vida. Se os tais cristais forem muitos, teremos uma maior capacidade mediúnica, a mediunidade ostensiva, aquela a que normalmente nos referimos quando falamos de “mediunidade”; se forem em menor quantidade, como é o caso da generalidade das pessoas, teremos uma capacidade residual, a mediunidade estática. Existem diversos tipos de mediunidade, conforme a aptidão especial do médium para esta ou aquela ordem de fenómenos: falar, escrever, ver, ouvir, curar e outras mais cuja classificação completa se pode ver no Cap. XIV do Livro dos Médiuns. A mediunidade é um fenómeno, susceptível de acontecer de forma universal, por assim dizer; e do qual há notícia histórica desde a mais remota antiguidade. Mas não devemos confundir mediunidade com espiritismo. É que se, em qualquer parte do Mundo, em qualquer grupo social ou em qualquer religião, mesmo entre ateus, existem pessoas com esta capacidade de servir de intermediário entre os dois planos da vida, no entanto, não se pode dizer que essas pessoas sejam espíritas. O espiritismo é uma doutrina, com as suas bases e princípios próprios – reunidos no conjunto de obras que se designa por Codificação Espírita, coligidas por Allan Kardec sob a orientação da espiritualidade superior – que, por isso, é forçosamente delimitada ao universo de pessoas que a conhecem, a estudam, a compreendem e a praticam. Essas pessoas são os espíritas e nem todas têm, necessariamente, mediunidade. Portanto, há mediunidade sem espiritismo, mas não há espiritismo sem mediunidade, pois não é possível levar o espiritismo às suas últimas consequências sem a mediunidade, visto ser ela que nos demonstra a efectiva existência da vida para além da morte física e a comunicabilidade entre os espíritos, num e doutro plano da vida, aspectos doutrinários essenciais do espiritismo. Por ser natural e independente da nossa vontade, como vimos, a mediunidade, na perspectiva espírita, não é nem pode ser entendida como um privilégio, e muito menos uma arte ou uma habilidade que, enquanto tal, possa ser profissionalizada ou comercializada. Aliás, a prática da mediunidade de uma forma gratuita e desinteressada constitui, até, a melhor garantia contra o charlatanismo e as mistificações pois, se não houver a perspectiva do lucro, não há qualquer motivação que leve os médiuns a forjarem efeitos, comunicações ou resultados. Mas a prática mediúnica não serve só para ajudarmos os espíritos sofredores, do outro lado da vida, Ela constitui, também, uma bendita oportunidade para aprendermos e reflectirmos sobre os caminhos que percorremos, pois esses espíritos fazem-nos, por seu turno, a caridade de nos mostrarem, através do seu próprio exemplo, as possíveis consequências negativas dos nossos comportamentos moralmente errados. Mediunidade com Jesus, é, enfim, a proposta do espiritismo. Ou seja, a prática mediúnica deve ser feita em grupo devidamente enquadrado na Casa Espírita, actuando de acordo com os ensinamentos expressos nos Evangelhos, logo, de forma gratuita e desinteressada, por amor e caridade para com todos os que sofrem, neste e no outro lado da vida: “Dai de graça o que de graça recebeste” (Mateus, X: 8).
Lisboa, 2011/10/10
José Rocha |


