HÁ 2011 ANOS PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

 

 

Há cerca de 2011 anos, em Belém, localidade situada em terras da Judeia, então sob domínio do Império Romano, nasceu aquele que é considerado como o ser espiritualmente mais evoluído que já passou pelo planeta Terra: Jesus, o Cristo.

Não interessam a data ou a hora certas, nem o local preciso desse nascimento, pois o que verdadeiramente interessa é o simbolismo relacionado com esse facto que é da maior importância para a Humanidade terrena, quer a de então quer a futura, na qual nos incluímos.

A imensidade da riqueza moral de Jesus, bem como a elevação dos ensinamentos e dos exemplos que nos foi transmitindo, durante a Sua passagem pela Terra, é inversamente proporcional às precárias e modestas condições materiais em que foi dado á luz e viveu a Sua existência terrena, que terminou com o terrível martírio no Gólgota.

E foi exactamente nessas condições, indignas de tão alta personagem, que consistiu o Seu primeiro exemplo: o da modéstia e do desprendimento das riquezas e grandezas terrenas.

Filho de Deus? Sim, no espírito, como todos nós, de maneira que bem O podemos considerar como o nosso Irmão Maior. Aliás, foi Ele quem disse, ao aparecer a Maria Madalena, após a chamada ressureição: “Vou para o meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (João, XX: 17).

Mas, já que, biologicamente, o Seu corpo físico foi gerado por Maria e José, também é filho do Homem conforme Ele próprio sempre se intitulou: “(…) e interrogou seus discípulos dizendo: Quem dizem os homens que é o filho do Homem?” (Mateus, XVI: 13-17), “(…) também o filho do Homem há-de padecer às suas mãos” (Mateus, XVII: 10-13 e Marcos, XVIII: 10-12).

É por isso que, no Seu diálogo com Nicodemus, Ele lhe diz: “O que é nascido da carne é carne, o que é nascido do Espírito é Espírito.” (João, III: 1-12), ou seja, sem figura nem alegoria, o corpo procede apenas do corpo, e o Espírito é independente dele.

Porém, quem foi Jesus, afinal? Muito se tem escrito e debatido, quer sobre a Sua real existência histórica quer sobre a Sua pessoa e a Sua natureza, se divina se humana, e, inevitavelmente, foram incluídas neste debate muitas lendas e fantasias para o tornar mais acessível ao entendimento popular; mas tudo isto são palavras e apenas palavras, que nada acrescentam de útil ou de válido face ao essencial do que Ele nos ensinou.

Ensinou-nos Ele que tudo é simples e tudo é vida, inserido no conjunto harmonioso da obra criadora de Deus, que também a todos nos criou e a cada um de nós dedica amor e bondade infinitas e que, por isso, todos havemos de chegar, um dia, à felicidade suprema do Reino dos Céus graças ao nosso esforço de aperfeiçoamento espiritual. Mas Jesus ensinou-nos, também, que essa é uma caminhada em permanente diálogo com Deus, de forma exclusivamente individual e que depende apenas de cada um de nós, a qual será mais ou menos demorada e difícil conforme utilizarmos o nosso livre arbítrio.

Mas, sobretudo, a essência da moral de Jesus é a da prática da caridade e da humildade, virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho que são a fonte de todos os grandes males que atingem a Humanidade. Ou seja, devemos amar o próximo como a nós próprios, fazendo-lhe o que gostaríamos que nos fizesse, perdoar as ofensas, fazer o bem sem ostentação e julgarmo-nos a nós próprios antes de julgarmos os outros.

Lembremos o que Jesus disse a um doutor da lei que Lhe perguntou qual era o maior mandamento: “Amarás o senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Estes dois mandamentos contêm toda a lei e os profetas.” (Mateus, XII: 34-40).

Mais do que festas e ostentações materiais, a melhor homenagem que poderemos fazer a Jesus, para comemorar o Seu nascimento, será começar a seguir este Seu ensinamento.

 

Lisboa, 2011/10/23

 

José Rocha