OS PRESSENTIMENTOS PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

 

Um pressentimento é algo que, espontaneamente, se instala em nosso espírito, relativamente a determinado facto – acerca do qual, conscientemente, não temos, sequer, indícios que, pelo seu encadeamento lógico e concreto, possam dar como previsível a sua ocorrência – dando-nos a entender, de forma vaga e não fundamentada que o mesmo poderá vir acontecer, ou pode já ter acontecido; e isto antes que aconteça virem as sensações concretas correspondentes impressionar os nossos sentidos físicos, confirmando a sua real e efectiva ocorrência.

Quantas vezes dizemos: “Não sei porquê, mas sinto/sonhei que vai acontecer isto, ou que aconteceu aquilo, ou que F… está mal ou que vai morrer, etc.”…Ou seja, não temos elementos concretos para justificar esta sensação, mas ela, aparentemente vinda do nada, como um flash, faz-se presente no nosso espírito com intensidade.

A espiritualidade superior, no Livro dos Espíritos, diz-nos que tendes pressentimentos que são para vós como advertências secretas, para fazerdes ou não alguma coisa (Q. 244-a) e explica-nos que o pressentimento consiste no conselho íntimo e oculto de um Espírito que nos deseja bem (Q. 522).

Nesta categoria de entidades espirituais, que nos desejam bem, podemos incluir o nosso anjo da guarda e os nossos espíritos protectores e familiares.

Mas o pressentimento é, também, a voz do instinto que, na concepção espírita, consiste na lembrança inconsciente das provas que escolhemos, ou seja, é a vaga lembrança dos acontecimentos mais marcantes da actual existência terrena, tal como resulta da planificação que dela fizemos na pátria espiritual, e que, por força do esquecimento do passado, se dilui no nosso inconsciente, quando do mergulho na carne, para a reencarnação. Mas, quando chega, ou está prestes a chegar, o momento de se concretizar algum desses tais acontecimentos planeados, a sua lembrança desperta, como pressentimento.

Em qualquer dos casos (lembrança de acontecimento ou conselho oculto), o espírito encarnado recebe o respectivo aviso – o pressentimento – mas, segundo o seu livre arbítrio, toma-o em consideração ou não, actuando em conformidade com a opção tomada.

Portanto, os pressentimentos referem-se a acontecimentos que dizem directamente respeito ao espírito envolvido, ou que, pelo seu impacto e consequências imediatas, ainda assim lhe dizem indirectamente respeito.

Porém, nem sempre os pressentimentos se concretizam – pois a pessoa, por força do seu livre arbítrio, ao longo da vida, vai fazendo sucessivas escolhas que acabam por modificar os seus comportamentos e, então, deixam de se verificar as circunstâncias que, fatalmente, levariam à ocorrência desse acontecimento eventualmente marcante para ela: é que, como nos ensina a doutrina espírita, a fatalidade, tal como vulgarmente é conhecida, não existe.

Mas, tal como nos diz a espiritualidade superior, tais acontecimentos podem cumprir-se para o espírito, se não se cumprem para o corpo, e é aí que reside a função espiritual do pressentimento. Essa função é de prova para o espírito.

De facto, na perspectiva desse tal acontecimento marcante, para o espírito, a prova concretiza-se nos pensamentos mais ou menos bons que essa hipótese lhe inspira. E quer o acontecimento previsto venha a realizar-se, ou não, então, para o espírito, a prova concretiza-se na maneira como reagirá a essa situação.

Em qualquer dos casos, porém, o espírito não deixará de ter o mérito ou o demérito dos pensamentos bons ou maus que a possibilidade e a concretização desse acontecimento lhe inspirou.


Lisboa, 4/10/2011

 

José Rocha